quarta-feira, 7 de maio de 2014

EMPRESA DE PAULO HARTUNG RECEBEU DINHEIRO DE DONOS DA TERCEIRA PONTE, DIZ JORNAL


O escritório de negócios Éconos, do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), recebeu dinheiro para prestar consultoria à concessionária Rodosol e empresas do grupo. A denúncia foi feita pelo jornal ES Hoje, que revelou o repasse de R$ 262 mil para a empresa do ex-governador entre os anos de 2010 e 2013. No início dos pagamentos, Hartung ainda estava no Palácio Anchieta. Entre os clientes do peemedebista está a Construtora Arariboia, que executou as obras do chamado posto fantasma – alvo de uma ação de improbidade contra o ex-governador pelo gasto de R$ 25 milhões por obras de terraplanagem.
Segundo a publicação, a Éconos recebeu mensalmente pagamentos pela suposta prestação do serviço de “consultoria econômica” à Rodosol e às empreiteiras A. Madeira e Arariboia – cujos donos fazem parte do grupo que administra a ponte. Os repasses teriam sido iniciados em 2010, quando a empresa estava sob comando do ex-secretário da Fazenda, José Teófilo de Oliveira, que deixou o governo para montar o escritório em 2008. Paulo Hartung só entrou formalmente na Éconos em maio de 2011, após deixar o governo.
A reportagem do ES Hoje revela que apenas a Rodosol, antes da entrada do governador no negócio, fazia o repasse mensal à consultoria de R$ 10 mil. Valor que foi incrementado para cerca de R$ 22 mil logo após a chegada do “novo sócio” – que deixou o escritório em agosto do ano passado. No período de Hartung no negócio, a Éconos teria recebido R$ 168 mil da empresa A. Madeira e mais R$ 70 mil da Arariboia, sempre de forma mensal. O jornal revelou a existência de notas fiscais em nome da empresa do ex-governador até maio do ano passado.
A revelação da consultoria de Hartung à Rodosol remete as suspeitas de beneficiamento dos “donos” da ponte e grandes empreiteiros durante o governo passado. Apesar de terem sido esquecidos pelos atuais defensores do fim da concessão, a auditoria feita pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) também investiga os aditivos feitos na gestão Hartung. Em 2006, o ex-governador negociou com a Rodosol a retirada de obras previstas em contrato para o congelamento no preço da tarifa.
Consta no acordo original que a Rodosol deveria investir um total de R$ 148,26 milhões – em valores da época do acordo, firmado em 1998 – na duplicação da ES-060 (Rodovia do Sol), cujo custeio foi incluído de forma legal na cobrança da ponte. A retirada das obras de construção do Canal Bigossi e da Alça da Terceira Ponte – também assumida pelo ex-governador – teve um “custo” para a concessionária foi de R$ 36 milhões, enquanto o Estado já arcou com quase R$ 100 milhões.
A nova suspeita em torno da relação da empresa de Hartung e empresas beneficiadas durante o governo passado guarda relação direta com outro episódio envolvendo a mineradora Ferrous Resources. Pelas mãos do peemedebista, a empresa recebeu incentivos fiscais para instalar um complexo siderúrgico e portuário no município de Presidente Kennedy (litoral sul capixaba). Em contrapartida, a Ferrous contratou a Éconos e outros parceiros do ex-governador para fazer a intermediação na compra de terrenos no município. Somente as operações renderam um total de R$ 121,6 milhões às empresas envolvidas no negócio.
O caso mais recente envolvendo o ex-governador Paulo Hartung foi a sua nomeação para o cargo de conselheiro do grupo Energias do Brasil (EDP) – dono da ex-estatal EDP Escelsa. Desde o final do ano passado, o Ministério Público Estadual (MPES) está investigando a existência de algum ato de improbidade na operação de alienação de um terreno em Vila Velha entre o Estado e a empresa, no final de 2008. O terreno foi vendido para a empresa pelo valor de R$ 1,9 milhão, sendo que o valor de mercado da área gira em torno de próximo a R$ 10 milhões.
Além da alienação do terreno para a construção da subestação, o peemedebista também concedeu R$ 290 milhões em incentivos fiscais à Escelsa há menos de um mês do final de seu mandato, em 2010. Em março de 2008, o então secretário José Teófilo de Oliveira havia garantido a renúncia fiscal de R$ 127,8 milhões para a empresa Santa Fé Energia SA, que também é do grupo EDP.

Fonte: gazetadonorte.com

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