sexta-feira, 18 de setembro de 2015

ALES DISCUTE FALTA DE TRANSPORTE ESCOLAR EM 24 MUNICÍPIOS, ENTRE ELES PANCAS

    Fotos: Reinaldo Carvalho

EspecialTransporteEscolar_17092015_baixa1_ReinaldoC.JPG O drama enfrentado por alunos carentes das escolas públicas de 24 municípios do noroeste e do norte capixaba que estão sem aula por falta de transporte escolar foi exposto durante sessão especial realizada na noite desta quinta-feira (17) na Assembleia Legislativa (Ales), proposta pelo deputado Enivaldo dos Anjos  (PSD). O impasse decorre da insatisfação dos empresários que prestam esse serviço, pois reclamam que o valor do repasse pago pelo Governo do Estado não está cobrindo os custos de manter as vans e ônibus em circulação. 

De acordo com o advogado que representa os empresários do setor, o panquense Daniel  Waldemar de Oliveira Júnior, o valor bruto repassado é de R$ 6,3 mil. Mas como há os descontos de impostos, a quantia liquida é reduzida para R$ 4,9 mil. Como se não bastasse, os empresários ainda têm despesas de R$ 1,9 mil com combustíveis. Se tiver que pagar motorista para fazer o serviço, haverá mais um gasto de R$ 2,3 mil. Além disso, há os custos da depreciação dos veículos, que transitam, em grande parte, em estradas de chão. “Essa planilha demonstra que não temos mais como continuar o serviço”, explicou. 

A prefeita de Alto Rio Novo, Emanuela  Pedroso (PDT), vereadores e empresários do ramo de transporte de estudantes pediram uma solução do problema ao subsecretário de Estado de Educação, Carlos Eduardo Zucoloto Xavier. “Não podemos permitir que milhares de alunos fiquem sem aula por causa de uma falta de entendimento dos empresários com o Governo do Estado”, reclamou a prefeita. O prefeito de Pancas, Agmair Araújo, o Guima (PRP), não participou da sessão.


EspecialTransporteEscolar_17092015_baixa17_ReinaldoC.jpg EspecialTransporteEscolar_17092015_baixa8_ReinaldoC.jpg EspecialTransporteEscolar_17092015_baixa7_ReinaldoC.jpg

Vereadores, empresários do ramo de transporte e pais de alunos afetados lotaram o plenário Dirceu Cardoso nesta quinta (17)

SEM AULAS

Pais de alunos também compareceram ao plenário da Ales e pediram solução urgente para que o transporte venha a ser normalizado. “Muitos alunos do ensino médio perderam praticamente um trimestre; eles vão acabar passando porque não há reprovação mais na rede pública. Mas será que vão estar em condições de aprender os ensinamentos do primeiro ano de faculdade com essa defasagem de aulas”, questionou o morador de Nova Venécia, Isaac Inácio, que tem um filho terminando o ensino médio. 

EspecialTransporteEscolar_17092015_baixa18_ReinaldoC.jpgCarlos Zucoloto (foto) disse que a portaria que regula os repasses estaduais para as prefeituras pagarem o transporte escolar vigora há mais de 15 anos. De acordo com ele, com base nessa regra, houve esse ano reajuste de 7,88% no valor dos repasses, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). “Estamos realizando estudos para entender porque em 52 municípios não há reclamações de empresários sobre os valores dos repasses e nas regiões Noroeste e Norte os transportadores alegam que não estão conseguindo efetuar o serviço”. 

De acordo com Zucoloto, os gastos do Estado previstos para 2015 com o transporte escolar  somam R$ 90 milhões. Para atender os reajustes pleiteados pelos empresários seriam necessários mais R$ 9 milhões. “A crise econômica está aí; todos os entes da Federação sem recursos; não tenho ideia de onde iríamos levantar essa verba”. 

SERVIÇO IRREGULAR

O advogado Daniel Junior argumentou que os transportadores que conseguem prestar serviços sem pedir reajuste nas planilhas estão trabalhando de forma irregular. “Não cumprem direitos trabalhistas e os veículos não oferecem segurança”. Daniel afirmou ter recebido denúncias de que uma das firmas que supostamente estariam operando de forma irregular é a Coopersules, cooperativa que atua na região norte. 

Durante sessão também houve denúncias de que algumas prefeituras estariam fazendo alterações em editais de licitação para beneficiar donos de veículos que possuem assentos apenas para 42 alunos, quando o normal seria espaço para 45, já que além dos estudantes são necessárias ocupações também para ajudantes dos motoristas. Zucoloto pediu que todas as denúncias sejam formalizadas para que as providências sejam tomadas. “Não cabe à Secretaria de Educação investigar esses casos, mas podemos encaminhar para as autoridades competentes”, pontuou. 

COMISSÃO

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Daniel W. de Oliveira Júnior, na tribuna da Assembleia

Por sugestão do proponente da sessão, deputado Enivaldo dos Anjos, foi constituída uma comissão  composta por vereadores, deputados, empresários e pela prefeita Maria Emanuela para dar sequência às negociações com o governo em busca de uma solução para o problema. Foi agendado encontro com Zucoloto na próxima quarta-feira (23) na sede da Secretaria de Estado da Educação. “Espero que nos próximos dias tenhamos uma solução para esse impasse”. Enivaldo disse que as suspeitas de irregularidades apontadas durante a sessão serão investigadas no âmbito da Ales caso haja uma formalização das acusações que traga evidências contra os suspeitos. 

Wanderley Araújo/Web Ales 
Fonte: www.al.es.gov.br

Um comentário:

  1. Como disse o Deputado Enivaldo a "SEDU quis trocar o pneu do ônibus andando" , não se pode fazer isso em pleno decorrer do ano letivo, esperamos que logo venha uma solução para esse problema , alunos sem frequentar a Escola é um absurdo fere a Constituição Brasileira. Ainda bem que a população esta unindo forças, já passou da hora disso acabar!

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